mas a razão traz o resultado.
O coração escolhe,
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Capítulo V - Jude.

 Lembro do meu irmão me ligando, eu tinha dormido na Michelle e tava completamente bêbada. Arrumei minhas coisas e fui pra casa. Cheguei lá e subi as escadas correndo, me atirando na cama em seguida. Ouvi alguém abrir a porta mas nem dei bola. 

Malu: Ju, levanta.
Jude: Mãe, por favor, tô com dor.
Malu: Vamos só conversar - porra, dona Maria Luísa é chata quando quer. Sentei na cama.
Jude: Fale mãe, fale.
Malu: O que aconteceu? - ela pegou minhas mãos e eu automaticamente, comecei a chorar.
Jude: Tudo mãe, tudo. O Nicolas, o Thiago, a Michelle, tudo. Mas dá pra gente conversar depois? Minha cabeça tá estourando. 
Malu: O.K bebê - disse e saiu do quarto.

O sono havia passado, então resolvi ir tomar um banho, de banheira de preferência, por que se eu fosse levantar, iria cair no chuveiro. Enchi a banheira e deitei. Fiquei pensando em tanta coisa, mas tanta. Coloquei o ipod no amplificador. Fechei os olhos e ouvi a porta do banheiro abrir, daora tudo. Quando fui xingar o filho da mãe que fez isso, perdi a voz. No ipod começou a tocar Payphone e Nico, sorriu. Fechei a cara na hora.

Jude: Tu tá doido por um acaso é? Não viu que eu tô pelada aqui? - falei com raiva, ai Jude, como se tu não quisesse puxar ele pra banheira e.. enfim.
Nico: Ver eu vi, mas.. Jude, eu tenho que falar contigo - ele tava vermelhinho, awm. Foco cacete.
Jude: Então sai que eu vou me vestir. 

Ele saiu, eu me sequei, deixei a música tocando ainda e fui pro quarto. Nico estava sentado na cama. Sentei ao seu lado.

Jude: Então…
Nico: Desculpa. Desculpa por ontem, por ter falado demais, por ter te feito ficar mal. Mas eu odeio que desconfiem de mim e Jude, eu gosto pra caralho de ti. Desculpa?

Não falei nada. Apenas pulei em cima dele e o beijei com um misto de amor e saudade, ele retribuiu, me puxou pro seu colo e colocou as mãos dentro da minha blusa. É hoje. 


Capítulo V - Bernnardo.

Fomos pra qualquer lugar, não me lembro de nada, nada mesmo. Lembro do meu pai gritando comigo que tava jogado no sofá bêbado.

Pedro: lindo é que você avisou seu avô.. 

Bernnardo: pai.. - nem terminei porque eu não tinha o que argumentar e minha cabeça latejava. Me levantei e me joguei no outro sofá, grande progresso Ber. - dor de cabeça do cacete.

Pedro: cadê a tua irmã?

Bernnardo: por aí, sei lá. - ri e me calei em dois segundos quando vi minha mãe fechando a cara. - cacete, foi mal, vamos descontrair uhu. - fechei os olhos.

Pedro: vai pro banho agora e depois a gente conversa. 

Nem respondi, mirei a escada e fui derrubando tudo que tinha a volta. Firmei a vista e subi as escadas num sofrimento cruel. Entrei no meu quarto e me joguei na cama, foda-se o banho, minha cabeça doía e eu queria lembrar o que tinha acontecido. Eu me lembrava até a parte que entramos no carro e …………… meu pai gritando comigo. Fodeu.

Maria: Bernnardo, se você não levantar dessa cama agora e ir pro banheiro tomar banho… - olhei pra ela que tava na porta, com a cara amarrada.

Bernnardo: tô indo, deitei pensar. - me sentei na cama. - calma, tá tudo rodando. - quando fui cair de costas na cama novamente ela me ergueu e me levou pro banheiro, me despindo e me dando o banho. Eu ria, eu era idiota. Saí do banho, com a dor de cabeça e dores e roxos pelo corpo. Coloquei uma cueca, uma bermuda e desci na sala atrás da Jude.

Maria: nada da Jude ainda? - ela perguntou apreensiva pro meu pai.

Pedro: nada. - ele levou as mãos a cabeça.

Bernnardo: esperaaaaaaa! Agora tudo está mais claro.. - fui lembrando vagamente de tudo com muito esforço. - Deixei a Jude na casa da Michelle, disso eu lembro. Tenho certeza. - sorri aliviado.

Pedro: vou ligar pra lá então.. - depois de cinco minutos falando no celular.. - ela tá vindo pra casa, tri-bêbada. O que aprontaram ontem?

Bernnardo: porque aprontaram? Só levei ela na casa da Michelle.. Se bem que fiz merda, muita merda, e muita merda me aconteceu.

Maria: explica isso melhor..

Bernnardo: po mãe, é complicado. A Anna terminou comigo. 

Pedro: tu comeu a Michelle? Tu é imbecil? - ele me deu um tapa na cabeça.

Maria: Pedro! Como tu fala assim pro seu filho? Tu parece irmão ou amigo dele. 

Bernnardo: ah mãe, não grita. Obrigado. Minha cabeça……… - fiz bico.

Logo Jude chegou e tentamos relembrar de algumas coisas: nada. Sábado, 16 de Maio, 17:50 da tarde. Anna tinha me mandado uma sms que viria em casa as 18:00 e caralho, a hora não passava. Comecei a folhar uma revista sem entender nada. A campainha tocou, levantei do sofá num pulo, larguei a revista que caiu no chão e sei lá mais o que eu derrubei. Tropecei nos meus próprios pés umas quantas vezes até chegar à porta. Me apoiei na maçaneta e não consegui puxar a porta sem fazer um barulho estrondoso que entregasse meu nervosismo. Tô nem aí. 

Anna: olá.

Bernnardo: oi.

Anna: Cheguei em hora errada? - me olhou. 

Bernnardo: hora errada?

Anna: é..

Bernnardo: não, chegou na hora de entrar.

Ela riu. Que diabos tu quer comigo, guria? Vai parar com isso não? Já tá virando sacanagem.

Anna: vou parecer muito oferecida se aceitar entrar?

Bernnardo: Não mais do que eu quero que seja. - Dessa vez eu ri também. Foi uma sensação esquisita ela ter gostado da piada. 

Entramos e eu fechei a porta. Eu juro que fiquei olhando pra ela por uns cinco minutos até que resolvi me pronunciar. O silêncio tava me matando.

Bernnardo: Aceita, sei lá, um refrigerante?

Anna: Não tomo refrigerante…

Bernnardo: Chá? Café? Água?

Anna: Café, pode ser.

Bernnardo: Então tu vai ter que fazer porque eu não sei. - Rimos. - Topa? 

Anna: Tem pó?

Bernnardo: Tem, sim. - E se eu te disser que sabia fazer café? Sempre soube. Sei lá, só pensei que ela acharia engraçado. Funcionou. 

Anna: posso pegar gelo?

Bernnardo: oi?

Anna: Gelo, posso?

Bernnardo: claro que pode, mas gelo pra quê?

Anna: café ué, não gosta?

Bernnardo: não que eu saiba. - ri.

Anna: já experimentou pelo menos?

Bernnardo: sei lá, devo ter provado. Não me parece legal.

Anna: prova aqui.. -  Ela jogou as pedras de gelo na xícara e estendeu-a pra mim de forma que quase passei a respirar café. 

Bernnardo:  Não, fica tranquila. Pode tomar seu café aí. - Ela riu de novo. Puta merda. 

Anna: Prova logo, caramba. - Ela estendeu a xícara de novo e eu quase que me senti obrigado pela minha própria vontade a engolir aquilo. O gosto era horrível.  - eaí?

Bernnardo: até que é bom, caramba.

Anna: hm, sei. - rimos. - essa sua cara de quem gostou, imagina se não tivesse gostado. - Ela se apoiou de costas na pia e eu me sentei em cima da mesa.

Ela me encarou por uns segundos e resolveu voltar pra sala. Segurou minha mão e me arrastou até o sofá. A ficha de ela ter me pegado pela mão demorou a cair. Então se sentou na poltrona e cruzou as pernas numa daquelas posições de borboleta de ginástica. 

Anna: eaí?

Bernnardo: eaí o que?

Anna: o que tava fazendo antes de eu chegar?

Bernnardo: ouvindo música, tomando refrigerante, o mesmo de sempre. E você? O que fez antes de vir pra cá?

Anna: nada, na verdade, cochilei.

Bernnardo: ah..

Anna: hey, tive uma ideia.

Bernnardo: manda.

Anna: Me diz as coisas que tu gosta, que eu te digo do que gosto.

Bernnardo: Não dá, tenho vergonha de falar…

Anna: Então escreve.

Bernnardo: O quê?

Anna: Escreve. Não sabe? É fácil. A gente normalmente aprende isso no pré. - Não me segurei, tive que rir. E me senti envergonhado ao mesmo tempo, ela não parava de olhar. Me senti desconfortável e, simultaneamente, realizado. Sei lá, e se ela tivesse gostando de mim? Que puta sorte. Eu ainda não tinha entendido qual o entusiasmo, mas não dava pra tirar o sorriso da cara. Era normal, não? Alguém gostar da gente? Costumava ser normal no colegial. No colegial, na faculdade, no trabalho, nas festas. Sempre tinha alguém a fim. Sei que o jeito como ela me olhava me deixava sem reação. E o cheiro dela, então? Suspirar perto dela dava uma vontade enorme de beijar. Eu tinha vontade de tudo com ela. - Então, vamos? Me alcança um pedaço de papel e uma caneta.

Bernnardo: ok, vou pegar, espera aí. - voltei com um bloquinho de notas e uma caneta. Então a entreguei. Ela ficava mais sexy naquela blusinha branca com renda no decote e jeans rasgado que a Angelina Jolie de lingerie. 

Nunca caprichei tanto na caligrafia. Desenhei cada letra com a maior vontade do mundo de aquilo ficar legal. Mas nunca parei pra pensar nas coisas que gostava. Eu gostava um pouco de tudo. Ficou difícil escolher; coloquei só os mais comuns. Ela me pareceu meio indecisa. Rabiscava e riscava o tempo todo, nunca vi. 

Anna: Terminou?

Bernnardo: Terminei.

Anna: Beleza. Faz assim: me entrega o teu que eu te entrego o meu, tá?

Bernnardo: Tá. No três.

Anna: Tá. 1…2.. - ela interrompeu a contagem e puxou o papel da minha mão e jogou o dela em cima de mim — tava demorando muito. - Os dois rimos. Antes de ler o que ela havia escrito, fiquei observando a reação dela ao ler minha lista.

“Muay Thay.

Música.

Sexo.

Minha cama.

Você.”

Ela sorriu e corou na hora. Fui ler a dela.

“Moda.

Música.

Vodka.

Você.

Nós.”

Ela me olhou feliz. F-E-L-I-Z, com todas as letras. Deu pra ver. Eu também estava feliz. Muito feliz. Subi pro quarto, peguei um boné que eu tinha comprado pra mim, mas que ficaria bem melhor nela. Peguei a caixa e desci. Quando cheguei na sala, ela tava balançando a perna daquele jeito que todo mundo faz quando tá ansioso. Me senti importante. Coloquei a caixa no colo dela e pedi que abrisse. Ela gargalhou. Foi lindo.

Anna: Não acredito - ela disse, ainda sorrindo. Eu não conseguia parar de olhar. -  Sério mesmo?

Bernnardo: Sério - ri. Ela era tão ingênua rindo que parecia uma criança ganhando a primeira bicicleta. - Que tal?

Anna: Tá querendo me conquistar, é?

Bernnardo: Algo me diz que eu já consegui.

Anna: Besta. Nem chegou perto. 

Preciso confessar uma coisa. Nunca amei tanto a sensação de ingenuidade. Eu era tão ingênuo perto dela que cheguei a achar que fosse uma pessoa apaixonável. Ela colocou o boné e eu bati na aba e tirei dela. 

Bernnardo: mesmo ficando linda com ele, fica sem. Te quero sem. - sorri. - e mais um coisa..

Anna: pode dizer..   

Bernnardo: Não te deixo sair até confessar que está apaixonada por mim.

Aí, o amor da minha vida riu e subiu as escadas. Eu fui atrás, fechei a porta do meu quarto e nos deitamos. Ela se despiu. Dormimos abraçados. Feito os dois mais novos namorados.


Quarto do Nico.


Capítulo IV - Nico.

Respirei fundo e subi com ela, minha sentença de morta tava assinada. Ok, eu não tinha feito nada véio, a Wendy me grudou. Mas até explicar isso pra Jude. Entramos no meu quarto e ela trancou a porta, sentei na cama e fiquei encarando-a.

Jude: Fala.
Nico: Falar o quê?
Jude: Tudo, fala Nicolas - falou e sentou do meu lado. Virei pra encarar ela.
Nico: Não tem o que falar Jude, a Wendy me beijou, assim, simples.
Jude: Assim simples? - perguntou com a sobrancelha erguida, em seguida, deu uma gargalha seca - Nico, tu acha que eu nasci ante ontem? Véi, nesse eu já cai uma vez, não caio a segunda.

Não sei o que me deu, mas uma raiva me subiu e eu levantei, dando um soco na mesa do lado da cama. Jude deu um pulo com o susto.

Nico: Que merda Jude, que merda. Você acha que eu sou o que? Um desses moleques ai que tu fica? Pois é, você tá enganada, Jude eu não presto mas eu não minto, sempre deixo claro o que ta rolando, cara se eu fosse te comer e jogar fora, teria feito isso a tempos e teria deixado claro isso. Mas tu sempre tem que estar certa. Eu te entendendo, já te magoaram, é normal ter medo, mas agora olha nos meus olhos e diz, eu tô mentindo? - despejei de uma vez só, ela respirou fundo e levantou. Saiu e bateu a porta.

Na hora um arrependimento filho da puta me bateu, desci as escadas e fui beber, preciso urgente. Bebi que nem um condenado e acabei dormindo no sofá. 

POV Jude.

Desci as escadas e fui pro bar pegar um birinight e depois pro jardim, minha cabeça martelava e meus olhos estavam marejados e uma culpa me assolava. Nico não prestava, mas não mentia. Mas de tanto tomar no cu acabei ficando tão fria que afasto as pessoas de mim. Ai ai, precisava dos conselhos da dona Maria Luísa agora. Caminhando vi o Ber, sentado no chão. Tava com cara de enterro, fui e sentei do seu lado.

Bernnardo:
 Que essa cara de choro ai?
Jude: Briguei com o Nicolas - dei um gole na bebida.
Bernnardo: Estamos bem então. - pegou meu copo e bebeu, vish.
Jude: Brigou com a Anna? Dahora a vida - levantei - Vou pra casa - me atirei de novo.
Bernnardo: Fica ai e sossega vai. Ou não - riu.
Jude: Tu não perde a chance de ser imbecil né? - chutei ele na canela, viado.
Bernnardo: Não, vamos embora, não pra casa, pra rua, pra putaria, pra bebedeira, pra qualquer lugar, mas não quero ficar aqui - levantou e me puxou pela mão, terminei de beber e taquei o copo sei lá aonde.
Jude: Bora. Porém, putaria com a gente não, não tô com cabeça pra isso e sei que tu também não.
Bernnardo: Beleza, demorou, fechou, é noix. Porque com essa música tocando agora, parece que David Guetta é meu amigo e tá querendo me aconselhar.. - riu e eu acompanhei, passei o braço na sua cintura e fomos caminhando. Engraçado que meu irmão me entendia melhor que eu. Pegamos o carro e fomos pra sei lá aonde.


Capítulo IV - Bernnardo 

Chegando na casa do Nico, logo eu e a Anna fomos lá na piscina beber. Depois de alguns goles, vários, muitos goles, decidi pular na piscina, sei lá, eu tava idiota. Tirei tudo do meu bolso e aguardei na bolsa da Anna, tirei o tênis e me joguei na água. Logo sai, e por estar molhado fui providenciar me secar. 

Bernnardo: vou me secar e depois pegar bebida beleza? - disse pra Anna.

Anna: vai lá..

Subi no quarto do Nico, era lá mesmo que ia me secar e arrumar uma roupa. Ou não. Entrei no banheiro do quarto dele, e me sequei, tirei a camiseta e saí de calça só. Foi quando dei de cara com a Michelle nua na cama e o pior, a Anna na porta. FODEU.

Anna narrando. -

Fui tão ingênua, até parece que um dia ele gostaria de mim, não. Não porque eu era feia ou não sabia dar prazer, mas sim porque não faz o tipo do Bernnardo aceitar um relacionamento, alguém cuidando dele e o chamando de meu. Ele não suporta ser preso, correr o risco de ser chifrado ou ter de se importar em comer alguém escondido. Não nasceu com ele isso, e eu de alguma forma ou de outra, a partir de agora teria de aceitar. Sai do quarto tentando segurar as lágrimas, disquei prum táxi, o ponto era logo ali do lado, dois minutos o taxista prometeu chegar. Fui descendo as escadas, sem olhar na frente, fui trombando na geral. Quando sai pela porta da sala, senti meu braço sendo puxado. Olhei, Bernnardo.

Anna: te mandei não vir.

Bernnardo: não tinha o porque de não vir.

Anna: claro, teu Iphone, a chave do teu carro, sua carteira e seus documentos. Tão obvio que você viria atrás disso. - o entreguei tudo, voltando a andar.

Bernnardo: caralho, eu não sou esse Bernnardo que só se preocupa com o material entende? 

Anna: claro, tu tem dinheiro o suficiente pra comprar quantos carros, Iphones e o caralho a 4 quiser né? - vi o táxi chegando. - me solta,  vou pra casa. - disse me soltando.

Bernnardo: não, não.. - ele me soltou e seus olhos piscaram pesados. - eu te levo. Só me deixa te levar, pode ir muda se quiser, ninguém fala, ninguém age, fim. Não precisa ser assim.

Anna: me deixa que eu vou de táxi. - sai e entrei no carro.

Bernnardo narrando. - 

Eu me senti tão inútil de não conseguir impedi-lá de ir e aquilo me fez desmoronar e cair na grama. O mais legal é que bem na hora começou tocar : (ouça caralho.

Bernnardo: porra, ajudou bastante com a música… Falta o copo de whisky e eu começar a me lamentar e poetizar. - logo alguém se sentou do meu lado, olhei, Jude. - que essa cara de choro ai?

Jude: briguei com o Nicolas. - ela bebeu um gole de algo que ela bebia que eu não lembro o que era.

Bernnardo: estamos bem então. - peguei o copo dela e virei um gole.

Jude: brigou com a Anna? Dahora a vida. - ela se levantou. - vou pra casa. - ela se jogou no gramado novamente.

Bernnardo: fica ai e sossega vai. Ou não. - ri.

Jude: tu não perde a chance de ser imbecil né? - ela me chutou.

Bernnardo: não, vamos embora, não pra casa, pra rua, pra putaria, pra bebedeira, pra qualquer lugar, mas não quero ficar aqui. - me levantei e a puxei pela mão, que terminou de beber e jogou o copo longe.

Jude: borá. Porém, putaria com a gente não, não tô com cabeça pra isso e sei que tu também não.

Bernnardo: beleza, demorou, fechou, é noix. Porque com essa música tocando agora, parece que David Guetta é meu amigo e tá querendo me aconselhar.. - ri ela me acompanhou e passou o braço no meu ombro e eu coloquei um braço na citura dela e fomos até o carro e até aonde Deus quisesse nos levar.


Wendy Freitas, 18 anos, estudante de publicidade. 


Capítulo IV - Jude.

Era hoje, hoje era o dia da festa. Depois do dia em que Nico dormiu comigo, ele estava meio distante, sei lá por quê mas estava. Meu irmão? Bom, esse nem bola mais dava pras merdas que eu fazia, de tão caído pela Anna e posso dizer que ela correspondia. Os únicos problemas eram: Thiago, Michelle e Wendy. Bom, essa última é nova na história, essa piranha que desde sei lá me enche o saco tava se atirando pra cima do Nico e eu não tava curtindo não. Mas enfim, agora eu estava em casa, terminando de me maquiar. 

Ber: VAMO JUDE! - ele berrou lá de baixo.
Jude: Tô indo caramba - falei e me olhei no espelho.

Bom, não estava de todo mal não. Desci e vi o povo, tomei um susto quando vi a Michelle ali e o climão entre ela e a Anna

Mica: Oi Jude - sorriu e eu também.
Ber: Finalmente hein.
Jude: Vá cagar vai.

Saímos de casa em direção a casa do Nico, meu estômago revirou, não sei por quê mas revirou, tava com uma sensação ruim. Chegamos e descemos do carro, véi, a casa tava tipo.. perfeita, toda iluminada. Entramos e eu vasculhei o local com os olhos, tinha tipo um ‘bar’ com uns coquetéis, vish, é hoje que eu fico bêbada. Não tinha sofás mas sim umas almofadas num canto e muita gente se pegando. E no lugar onde eu acho que era a sala, tinha a tv ligada passando música e uma pista de dança improvisada. 

Anna: Olha, teu italianinho apareceu - disse pra mim e apontou pra escada. Má ideia pois eu olhei.

Orgasmos. Nico tava tipo lindo, tipo véi, tipo perfeito, tipo nossa. Ele tava com uma calça jeans preta, uma blusa branca e por cima uma cinza, dobrada nos cotovelos, um coturno lindo e um anel de caveira que eu já conhecia bem. O cabelo parecia maior e mais bagunçado e mais lindo. Desceu correndo, deu oi pro meu irmão, pra Michelle, pra Anna e na hora de dar oi pra mim, parece que deram um choque no menino. 

Nico: Ãn, oi Jude, cê tá linda.
Jude: Valeu, tu também - essa foi nossa conversa, já que depois Michelle me arrastou pro bar, Ber e Anna sumiram e eu fui fazer o que eu faço melhor, beber.

Bebemos pra cacete, e acho que depois do quinto copo de vodca, da meia garrafa de amarula, e de uns dez drinks estranhos mas com gosto bom, eu nem lembrava meu nome. Senti alguém cutucar meu ombro e olhei, era Nico. 

Nico: Hm, Jude, acho que cê devia parar de beber - ele disse. Revirei os olhos.
Jude: Nico, esse é teu problema, tu acha demais - falei e sai, sentando numa almofada e tirando um cigarro. Ele veio atrás de mim e sentou do meu lado.
Nico: Poxa Jude, eu só disse por quê não quero te ver bêbada se bem que você já. E desde quando você fuma?
Jude: Desde que dá vontade - falei e ascendi o cigarro, nesse momento começou a tocar Dev - In the dark (é obrigado escutar). Véi, eu amo essa musica. - Nico, vamos dançar?
Nico: Mas eu não sei dançar.
Jude: Foda-se.

Dito isso puxei ele pra ‘pista’, largando o cigarro em qualquer lugar. Pus as mãos em seu pescoço e comecei a me mexer no ritmo da música, que diga-se de passagem, é muito sexy. Ele, instintivamente eu acho, colocou as mãos na minha cintura, me colando em seu corpo. Sorri com isso. Rebolei e senti.. bom, enfim, vocês sabem o que eu senti. Virei-me de frente pra ele e o beijei. O beijo foi quente, rápido e muito bom, ali no meio da pista mesmo. Nos separamos e ele sorriu.

Jude: Nico, pega alguma coisa pra gente beber? - pedi, precisava pensar.
Nico: Ta bom, espera aí.

Ele saiu e eu comecei a pensar em tudo que tinha acontecido, poderia culpar a bebida mas não, sabia muito bem o que tinha feito e tinha gostado. Ele começou a demorar, me irritei e fui atrás, me arrependi. Nico estava atracado com uma.. pera aí, não era uma piranha e sim a piranha, Wendy. O ódio zuniu em meus ouvidos e eu caminhei até eles, tirando ela de cima dele pelos cabelos, depois virei pra ele e o fuzilei com o olhar.

Jude: Você vem comigo, agora. 

Ele ia me escutar, ah se ia.




 


Capítulo IV - Bernnardo.

Fui pra faculdade com a Anna e depois da aula levei ela pra casa. Ela me pediu pra entrar, eu entrei, como medo, mais entrei. 

Anna: não tenha medo, só tem a empregada aqui.

Bernnardo: melhor assim.. - ri.

Anna: viu, me leva no shopping mais tarde? Aliás, vamos juntos? - ela disse com as mãos na minha cintura.

Bernnardo: vamo sim. - sorri. - porém hoje sou obrigado a ir pro treino. - ela riu e me beijou.

Anna: tá Ber, tu vai pro treino hoje…

Anna narrando. - 

Caralho, sabe, essa aposta tava se transformando em merda, muita merda. O Bernnardo era um puto galinha que tava me namorando por 100 reais. Que nojo senti de mim. Pior até porque eu acho que tava caindo demais na dele e iria tomar no cu. Porém, beleza. Vamos lá, não vou perder essa aposta nem morta. A gente foi pro shop, primeiro fomos nas lojas de roupas, comprei algumas coisas e pedi algumas opiniões, aprovava todas as opiniões dele, filho da mãe. Depois fomos numa loja de sapatos, todos muito fodas, comprei 4 pares. O bom era que o Bernnardo era alto, o Márcio não era, então eu podia subir num salto enorme que não ficava mais alta que ele, porque na boa, isso me broxava. Depois fomos numa loja masculina e o ‘pobre’ do Ber fez a festa. Comemos uma pizza hut e ele me levou pra casa de novo. Essa noite eu ia passar em casa, nada de casa do Ber e putaria. 

Anna: juízo. te cuida. - disse abrindo a porta do carro.

Bernnardo: tá morrendo de medo deu fugir de ti é? - riu.

Anna: não idiota. Não estraga o clima. - fechei a cara.

Bernnardo: desculpa. - ele pulou pro banco em que eu tava e ficou com as pernas pra fora me encarando.

Anna: vai pra casa e depois a gente conversa. Tchau.

Bernnardo: não fica assim poxa. - ele me puxou pra perto dele. 

Anna: a Ber.. - o olhei nos olhos. Sem pensar duas vezes ele me puxou pra dentro do carro me colocando sentada no colo dele e fechou a porta. Ali mesmo transamos. E usamos camisinha, por incrível que pareça. 

Ele foi fofo comigo o tempo todo, mas também na medida certa, quando foi preciso, ele esqueceu a fofura e me fez sentir orgasmo como nunca tinha sentido antes. Me troquei, o beijei e subi. A noite não conseguia dormi, então o liguei e a gente ficou conversando durante duas horas. Dormi tranquila, a semana foi agitada e pouco nos vimos por causa das provas. A sexta chegou, festa na casa do Nico. Tava tudo prometendo a melhor festa do mês.

Bernnardo narrando. (escute.)

A Anna me fez esperar um bom tempo na sala com o pai dela me encarando legal. Fiquei mexendo no Iphone e liguei pro meu pai.

Ligação on -

Ber: eae pai, que horas chegam amanhã?

Pedro: oi filho, chegaremos lá pelas 15h30, vê se manda o motorista do teu vô pra ir buscar a gente..

Ber: tá, já ligo avisando o vovô. Tá me trazendo algo né? 

Pedro: quem sabe.. Tu acha que merece?

Ber: sério que tu acha que eu vou falar que não mereço? - ri.

Pedro: claro que não né.. - ele riu. - bom, vou jantar com sua mãe, abraço.

Ligação of -

Depois de mais um longo tempo a Anna desceu, saímos e postamos no twitter “#partiu p-party do Nico.” 


Capítulo III - Jude.

Entrei no quarto e bati a porta, roxa de raiva. Quem meu irmão pensa que é? Véi, eu sei que o Nico não presta e foda-se, eu também não presto, vai que né. Fui no armário e peguei um pijama, vesti e me deitei. Depois de uns cinco minutos, alguém bateu na porta, revirei os olhos e mandei entrar, jurando que era o puto do meu irmão. Não era.

Nico: Oi - ele disse e sentou na beirada da cama.
Jude: Oi.
Nico: Desculpa ter causado transtorno principessa - véi, ele faz de propósito?
Jude: Tudo bem, meu irmão que gosta de briga mesmo.

Depois disso um silêncio instalou no quarto, única coisa que eu consegui pensar era, Jude, vocês sozinhos, num quarto Jude, pensa cacete. Sorri para o nada e cheguei mais perto dele, mordendo sua bochecha em seguida. Continuei fazendo isso, chegando mais perto dos seus lábios ainda e acho que ele não gosta de ser provocado, por que respirou fundo e se virou, me beijando em seguida. O beijo foi o melhor da minha vida, sem exagero, ele foi me empurrando para a cabeceira da cama, me prensando ali. Paramos por quê não tinha mais ar ali, sorri e me deitei, jurando que ele iria ir embora, mas não, deitou do meu lado e ficamos ali, sem falar mas também sem dormir.

Capitulo III - Nico.

Mio Dio. O Bernnardo tava putíssimo comigo, mas porra, quem manda ter uma irmã tão gostosa? E tão legal? Ah, por favor, eu sou um ser humano e a carne é fraca. O que mais me preocupou foi Jude ficar brava comigo, então decidi ir ao seu quarto, ela me mandou entrar com a voz carregada de ódio, fodeu. Entrei meio receoso e sentei na sua cama, acabei por descobrir que ela não estava tão possessa assim. Até por quê ela me beijou e falando a real, ela beija muito bem.  Depois do beijo, ela deitou e eu, meio sem saber se ia embora ou ficava, deitei ao seu lado, a abraçando. Veja bem, eu nunca me amarrei, quer dizer, nunca tive vocação pra ficar mais de um mês com uma guria só, nunca encontrei nenhuma ‘digna’ disso, mas também nunca iludi ninguém, sempre deixei claro o que eu queria e sempre soube o que eu queria. Mas desde que eu conheci a Jude isso mudou, eu não sei mais o que eu quero, melhor, eu sei, mas não quero admitir pra mim isso e até por quê, tenho medo dela não querer o que eu quero, por que a Jude não presta, tanto quanto eu. Com estes pensamentos incoerentes, dormi.
Acordei noutro dia, com o sol batendo em meu rosto. Esfreguei meus olhos e olhei em volta, lembrando-me da noite passada. Sorri com isso. Instintivamente, tateei a cama e não senti Jude ali, me sentei exasperado, acho que foi rápido demais pois minha pressão caiu e tudo girou. Respirei fundo e vi um bilhete em cima da comoda. Com uma caligrafia bonita mas percebia-se que foi escrito as pressas.

Oi, eu acabei indo pra faculdade, mas cê tava tão lindo dormindo que eu não quis te acordar, qualquer coisa me mande sms, te cuida. Beijo, Jude.

Li o bilhete e sorri, acabei por pegar minhas coisas e ir pro meu quarto, dormindo de novo em seguida. 


Capítulo III - Bernnardo. 

Depois de resolver tudo da festa, eu e a Anna fomos pra cama cedo porque eu tava morrendo de sono e ela me acompanhou. Desci depois de uma hora  e não encontrei nem o Nico nem a Jude, caralho, esqueci que os deixei sozinhos aqui e agora eles sumiram, palmas anta. Rondei a casa toda e deixei o quarto da Jude por último na esperança de que eu não visse merda. Abri a porte e os dois estavam na cama, ela deitada no colo dele que brincava com o cabelo dela e a tv ficava ligada.

Bernnardo: Nico, tu não acha que tá na hora de tu ir pra casa não?

Jude: deixa de ser chato Bernnardo, ele vai dormir aqui essa noite.. 

Bernnardo: no teu quarto não.

Jude: ele vai ficar segurando velinha pra você e pra Anna enquanto vocês se comem?

Bernnardo: tem dois quartos de hospedes se esqueceu?

Jude: ah Berzinho.. - ela disse se levantando e vindo em minha direção fazendo papel de anjo.

Bernnardo: não Jude. 

Jude: e tu pode? Tu pode dormir com quantas gurias tu quiser né? Pode fazer suruba se quiser! - ela começou a chorar. - ainda tem gente que diz que eu sou a ovelha negra da família.

Bernnardo: desculpa Jude, mas não, Nico dorme no quarto de hospedes ou não dorme aqui. 

Jude: caralho. Eu te odeio tá? T-E O-D-E-I-O! - ela se jogou na cama e o Nico saiu indo em direção ao quarto de hospedes. 

A noite foi longa porque não preguei os olhos pilhado no que tinha feito pra Jude, mas cara.. O Nico era desses cafagestes que ele mesmo me contou, não ia a entregar de bandeja a minha irmã. Acordei de manhã e fui pra loja da Duda que era amiga dos meus pais e ainda fazia tatuagens perfeitas. Fui lá, também porque precisava de conselhos, mas chegando lá decidi ligar pro meu pai.

Ligação on -

Pedro: alô? - a voz dele tava de quem tava cansado.

Bernnardo: a noite foi longa aí é pai? - ri.

Pedro: imbecil o que tu quer?

Bernnardo: ow, também te amo! Tô indo na Duda tatuar e decidi te ligar porque acho que tô apaixonado.

Pedro: OQUE? FILHO? É VOCÊ MESMO BER? - ele debochava da minha cara.

Bernnardo: puta pai.. 

Pedro: foi mal.. - ele riu. - po Ber, me conta quem é..

Bernnardo: ela é nova no campus, ela me pira pai sabe.. Ela me confronta, ela dá de frente e ela tá me deixando louco.. Ela é linda.

Pedro: eu nunca o vi falando assim de uma garota.. Caralho, tu achou alguém que não aceite tudo o que quer né?

Bernnardo: é, a gente tá namorando. Só que é uma aposta, só que eu não queria que fosse apenas uma aposta. E quando ela me nega um beijo, caralho, dói.

Pedro: po Ber, tu achou a garota da tua vida. Casa. - ele riu.

Bernnardo: pai, tu viu o que eu disse? o que tô dizendo? Po pai, tô virando gay… Eu não fico querendo sexo o tempo todo com meio mundo. Eu tô estranho.

Pedro: filho, eu já disse, tu tá amando. É isso. Eu também me senti assim..

Bernnardo: mas..

Pedro: não tem mas. É o que tem.

Bernnardo: bom, vou fazer a minha tatuagem depois a gente conversa, tchau.

Pedro: vai lá, tchau. 

Ligação of - 

Entrei na salinha e fiz a Tatuagem nos calcanhares que dizia: Free Yourself. (Libertar-se.)